T.D.A.H.  X  ATIVIDADE EMPRESARIAL

 

                Estudos mostram, que “LIDAR COM DINHEIRO”, planejar e executar um projeto, relacionar com outras pessoas de forma amistosa e equilibrada, exercendo liderança sem imposição, negociar em situações desfavoráveis, chegar a consensos, não são características do paciente com TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE (TDAH), especialmente quando se trata dos tipos HIPERATIVO/IMPULSIVO e COMBINADO, visto que o tipo DESATENTO, a maioria das vezes, se quer consegue sair do lugar e quando não tratados, não incomodam ninguém, mas viverão ziguezaguiando por este mundo, não sabendo de onde vieram e nem para onde irão, conseguindo muito mal administrar a sua própria vida.

As dificuldades para estes pacientes administrarem, se devem as próprias características do TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE, caracterizado pela tríade de sintomas do transtorno, DESATENÇÃO, HIPERETIVIDADE E IMPULSIVIDADE. Estas dificuldades neurocomportamentais, não combinam com o LIDAR administrativamente, a não ser que o paciente seja submetido a tratamento precocemente e desenvolva estas habilidades. Para isto, se faz necessário ser submetido a tratamento com técnicas de terapia COGNITIVO-COMPORTAMENTAL e MEDICAMENTOSA, caso contrário serão navios à deriva.

É freqüente em nossa cultura, indivíduos com habilidades especiais, planejarem e executarem projetos, de forma eficiente, que os levam ao sucesso pessoal e financeiro. É comum também, que essas pessoas após construírem verdadeiros impérios, um dia, passem o controle para os seus herdeiros, sucessores de direito, a maioria das vezes seus filhos. Isto é muito natural e quando o herdeiro apresenta capacidade administrativa pautada no equilíbrio, resultado de um comportamento adequado para administrar, fruto de um processo preparatório, previamente elaborado ou POR SER A SUA ILHA DE COMPETÊNCIA, não constituirá tarefas das mais difíceis para o herdeiro. Assim sendo, o projeto será conduzido com reformas, acompanhando as mudanças naturais do processo evolutivo ou paradigmas, e certamente será bem sucedido. Mas, também é muito freqüente, que neste trajeto sucessório, haja a falência da empresa de forma fulminante, basta que chegue a administração, um indivíduo TDAH, não tratado adequadamente, com as dificuldades citadas anteriormente, sem portar a harmonia neurocomportamental necessária para dar continuidade ao projeto, evitando atitudes comprometedoras, que sem dúvida resultará em sérias conseqüências administrativas, terminando tudo em nada, em decorrência de sua falta de capacidade de planejar e executar tarefas.

No passado recente, alguns indivíduos abastados, faziam questão de dizer que a sua fortuna era suficiente para sustentar até a terceira ou quarta geração, de seus herdeiros. Muitos acreditaram nisto. Porém, o que se viu foi a chegada ao poder, de um herdeiro intuitivo, amoroso, inteligente, cheio de idéias novas para administra a tal fortuna. Só que a minoria das vezes, houve tempo, para o todo poderoso rico assistir o caos. Outras vezes, tiveram sorte e passaram para o outro lado da vida sem presenciar o caos. Deste fato, ouvi de um amigo, após tomar umas cervejinhas: Meu avô foi rico, meu pai foi nobre e eu estou pobre.

Por não terem o equilíbrio necessário para tomar decisões equilibradas e coerentes, diante de negócios, onde a impulsividade, hiperatividade e distratibilidade se fazem presentes, a tarefa administrativa para um TDAH, NÃO TRATADO, passa a ser inviável e as vezes desastrosa.

Quem administra, sabe perfeitamente que uma vez disparado o “gatilho” do comando, as condições para o retorno ficam comprometidas e quando o comando é de um TDAH, NÃO TRATADO, fatalmente isto vai afetar a estrutura da empresa, que rapidamente vai apresentar corrosão em seus pilares de sustentação e acabarão por emperrar o processo. Muitas vezes, o administrador TDAH NÃO TRATADOS, por uma questão que ele chama de “HONRA”, leia-se “atitude intempestiva”, acaba tendo que assumir todo o prejuízo, com suas atitudes impulsivas, porém não resolve o problema criado, melhor serie ter agido com cautela e prudência, o que não faz parte do vocabulário de um TDAH, NÃO TRATADO PREVIAMENTE e colocado em postos administrativos, por serem líderes e inteligentes, porém não apresentam um funcionamento global eficaz para assumir tal cargo.  

É fácil concluirmos, que não é por acaso ou por falta de sorte, que grandes impérios são destruídos por incompetência administrativa, pois em nosso meio, isto não se trata de exceção, mas regra. Se analisarmos, como funcionavam essas empresas no passado recente, antes da globalização, onde a qualidade total era apenas um detalhe, veremos que essas empresas até conseguiam caminhar sem maiores dificuldades. Com a globalização, tudo mudou e aqueles que não se prepararam para estas mudanças, naufragaram ou imergiram, dando lugar a aqueles que não perderam a oportunidade. Quando entraram no mercado, conscientes das dificuldades que encontrariam e pautados no equilíbrio, prudência e capacidade de analisar, ouvindo e administrando com planejamento, muitas vezes fazendo estudos prévios para conhecer o mercado e saber enfrentar possíveis dificuldades, agindo com freio inibitório noradrenergico, obviamente deram certo e hoje compõe o grupo daqueles que sucederam os que imergiram. Estes são, os pejorativamente denominados de emergentes, que nós entendemos como bem sucedidos, que aí estão fazendo sucesso.

Não podemos esquecer, aqueles que implodiram suas empresas, vítimas do descalabro econômico resultado de falcatruas, muito comum em empresas administradas por TDAH, NÃO TRATADOS CORRETAMENTE e que desenvolveram transtornos disrruptivos, como comorbidade, em especial o TRANSTORNO DE CONDUTA E TRANSTORNO DE OPOSIÇÃO e desafio como fator de risco.    

Obs: O contendo do boletim14º foi alterado e reformulado, em decorrência de um alerta da diretoria da ABDA, feita em 19/10/07, em relação a reclames de internautas que, com razão entenderam existir transtorno de conduta nos portadores de TDAH, quando na realidade é freqüente a presença de transtornos disrruptivos -  TC e TOD (Transtorno de Conduta e Transtorno de Oposição e Desafio), como comorbidade na infância, em pacientes TDAH e que se esses pacientes não forem tratados adequadamente, poderão levar estas comorbidades para a vida adulta, sendo portanto uma comorbidade específica e não parte do Transtorno de Déficit de Atenção propriamente dito.

Assim entendemos, que é muito freqüente em nosso meio o colapso econômico de muitas empresas e se procurarmos conhecer a prevalência de projetos que não deram certos e viraram sucatas, ficaremos estarrecidos com a incidência e verificaremos que esses projetos são de administradores TDAH, NÃO TRATADOS que sonharam acordados e que quando acordaram o sonho era uma triste realidade.

No setor da administração da “COISA PÚBLICA”nem se fala ! A maioria são projetos faraônicos, entenda TDAH, NÃO TRATADOS na administração pública, com comorbidade de  transtorno de conduta, onde a idéia famigerada de PODER não sai da mente. Aí, obras que chamam a atenção e que o percentual desviado é no mínimo de 30 %, para ninguém ficar pobre.

Como exemplo temos a obra do tribunal de justiça de São Paulo.Até NICOLAU virou LALAU. É que a vocação política vem desde criancinha...! Lógico, está na veia, disse a avó! Isto é genético como o TDAH.

 Nos países desenvolvidos, é comum a administração de muitas empresas ficarem sob a responsabilidade de administradores contratados para esta função, ficando os herdeiros longe da esfera administrativa. Assim sendo, os riscos são menores, pois os verdadeiros idealizadores e executores dos projetos que criaram aquela empresa, sabem perfeitamente o perfil de seus filhos e outros herdeiros. E sabem se são capazes ou não para dar continuidade ao projeto, não tendo a menor dúvida em impedir, que um herdeiro incompetente, assuma funções que não terão como executar de forma equilibrada, coerente e eficiente, para não provocar um rompimento nas estruturas que sustentam a empresa. Para isto, são orientados por profissionais que entendem de comportamento humano, para caminhar de forma mais segura.

É importante, que não esqueçamos, que a administração pública, trata-se de um caso sui generis, pois é onde encontramos muitos pacientes TDAH NÃO TRATADOS adequadamente e que desenvolveram COMORBIDADES DISRRUPTIVAS “exímios administradores”, que por serem inteligentes e imediatistas, procuram os caminhos mais fáceis para ganhar dinheiro, sem precisar do mínimo preparo intelectual, podendo ser até analfabeto. Então, por apadrinhamento ou ao se candidatarem, vão administrar a COISA PÚBLICA, onde segundo o MINISTÉRIO DO CONTROLE, 30 % das verbas públicas são roubadas, em cerca de 93% das prefeituras do BRASIL. Mesmo assim, não se percebe quebra-quebra no setor público administrativo, nem mesmo quando o político é um TDAH NÃO TRATADO e até analfabeto ou mesmo quando os rombos são do porte do BANESTADO, que para os menos atentos, FOI DA ÓRDEM DE 32 BILHÕES DE DÓLARES, que quebraria qualquer império no mundo, porém neste caso, se quer abalou um pilar da administração pública do riquíssimo BRASIL..sil..sil.

Além do comportamento inadequado, existe a questão ética que também não faz parte do dicionário destes indivíduos políticos e TDAH NÃO TRATADOS. Em nações mais sérias isto não termina bem.Hoje entendemos porque 60% da população carcerária americana, que é de 2.500.000(dois milhões e meio) de indivíduos são portadores do TDAH NÃO TRATADOS.

Talvez aí, tenhamos, quem sabe, encontrado um local ideal para TDAH NÃO TRATADOS realizar os seus sonhos de administrador. Seria a sua ”ilha de competência”, pois quando é político nunca haverá risco de falência, mesmo se o TDAH for analfabeto, incompetente e sendo político quase sempre ladrão, pois os rombos são sempre resolvidos com as famosas liberações de verbas suplementares, que jamais faltarão, sendo a roubalheira acomodada nas C.P.I.PIZZARIAS.

Traduzindo para os menos experientes nesta praia, C.P.I.PIZZARIAS, significa técnicas para camuflagem dos rombos em regimes ‘CORRUPTOCRATICOS’, forma de governo onde ser corrupto é um direito quase constitucional, com direito garantido à impunidade.

Alertamos que não constituem direitos fundamentais dos cidadãos, estas práticas, em outros PAÍSES ou NAÇÕES DÍGNAS, pois isto pode dar cadeia.

Esse fato, certamente explica a grande concorrência para cargos públicos, por pacientes TDAH imediatistas NÃO TRATADOS com comorbidade de TRANSTORNO DISRRUPTIVO, que querem ganhar agora e de qualquer maneira, custe o que custar. Quem sabe se no futuro seria a solução de empregos para TDAH !  Tem hábitos que de tanto se repetir tornam-se leis.

Voltando da crise alucinoindignativa, direito de todo cidadão, observamos outro aspecto importante, é que os pacientes TDAH, necessitam de certa forma de situações que provoquem uma verdadeira tempestade de adrenalina para se CONECTAREM, com isto, procuram se envolver em situações onde estímulos fortes estão presentes e desta forma mantém atitudes que os expõe constantemente a situações vulneráveis e a explosões de fúria ou outras situações que os stressam, sendo capazes de atraí-los, por serem estímulos fortes, como: jogos de azar, fechar negócios de forma precipitada, fazer negócios de alto risco com intenção de conseguir ganhos imediatos, sem medir conseqüências, etc. Com estas características, provavelmente não conseguirão dar seguimento aos projetos desta empresa, que mesmo recebendo-a estabilizada, sofrerá sérios abalos em sua estrutura e só por muita sorte não ficarão a deriva.

Por serem imediatistas, impulsivos e apresentarem baixa resistência a frustrações, correm sérios riscos de não conseguirem o equilíbrio necessário para agir com prudência na condição de administrador. Portanto, não é surpresa para nós, encontrarmos dentro de uma empresa, este tipo de empresário, que certamente terá vida curta como tal.

Outro fato, que não podemos subestimar, é a dificuldade em dar ordens, pois na condição de chefe, força a barra, é áspero no lidar, ouve pouco os seus subalternos, praticam o abuso de autoridade, ofende os companheiros de trabalho e se forem portadores do TOD (TRANSTORNO OPOSITOR  DESAFIADOR) , que é freqüente como comorbidade em 30 a 50 % dos pacientes TDAH, a situação é mais grave. Tudo isto seria simples, se o resultado final dependesse só do chefe, porém não é assim que acontece, pois o sucesso de uma empresa é resultado da harmonia do conjunto. Hoje temos ações na esfera judicial, quando o abuso do poder é comprovado, principalmente quando se pratica o ASSÉDIO MORAL, que são ameaças dos chefes aos subalternos, como: inclusão em demissões voluntárias, transferência de setores, pressões para aumentar a venda em instituições financeiras, pressões políticas, etc.    

É importante que saibamos, que uma das características dos pacientes TDAH é a sua HIPERSEXUALIDADE, que os tornam presas fáceis diante de assédio sexual, bem como os caracterizam como assedia dores sexuais. Nesta segunda característica, os expõem a práticas do assédio sexual, que dentro de uma empresa, na condição de administrador o levará ao envolvimento em relacionamentos complicados, fragilizando o equilíbrio e a harmonia da empresa e vulnerabilizando o cargo de chefia, devido ao envolvimento sentimental na condição de administrador. No setor político é comum os envolvimentos com as MÔNICAS.

Sabe-se ainda, que não raramente, é comum o uso da aproximação e da intimidade sexual como instrumento de espionagem dentro da administração empresarial.

O que devemos tirar como lição deste boletim, é que apesar de serem intuitivos, inteligentes, amorosos e às vezes sociáveis e criativos, os pacientes TDAH, NÃO TRATADOS, com suas atitudes hiperativas, impulsivas e desatentas, além de suas co-morbidades freqüentes, não apresentam o perfil ideal de um administrador. Obviamente, se submetidos a tratamento neurocomportamental, com técnicas de terapias cognitivo-comportamentais e tratamento medicamentoso, poderá vir a apresentar condições administrativas semelhantes aos indivíduos não TDAH.   

Agradecemos a diretoria da ABDA  pelo alerta e solicitação de nossa consideração a respeito das críticas realizadas e estamos sempre a disposição para marcharmos juntos no sentido de diagnosticar e tratar os pacientes portadores de TDAH, dentro dos padrões preconizados pela medicina baseados em evidências e seguindo as normas da nossa ABDA.

Agradecemos também aos internautas que avaliaram nossos boletins e fizeram críticas no sentido de cada vez mais prestarmos este serviço virtual tão importante para muitos pacientes e portadores, permitindo uma profunda reflexão sobre o TDAH e suas comorbidades.

Atenciosamente,

Dr. Irineu Dias -  Diretor da GAETAH (Médico, Clínica Médica e Saúde Mental da Infância e Adolescência)

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