TDAH X Gravidez Precoce

 

            Trabalhos publicados nos EUA pelos Dr. Sam Goldstain e Dr. Russell A. Barkley, mostram índices alarmantes de gravidez precoce em meninas TDAH, chegando segundo os autores a 40% do total de gravidez precoce e 15% de DST - Doenças Sexualmente Transmissíveis.

            Esta gravidez indesejada ou não programada, associada a altas incidências de DST, tem um fundamento, a Hipersexualidade destas pacientes TDAH, principalmente as Hiperativas/ Impulsivas e as combinadas, que muito cedo, mesmo antes da puberdade, por volta dos 10 a 12 anos apresentam comportamentos insinuantes, sexualidade à flor da pele e impulsividade no agir, o que de certa forma nos faz entender a iniciação sexual precoce, que motivadas pela estrutura familiar sem consistência, decadente, sem limites e de certa forma conivente, respondem pelo maior risco de uma gravidez precoce.

            Obviamente que estas estatísticas são de estudos feitos em um país desenvolvido, onde as pesquisas são fundamentadas à luz da ciência, mostrando quadro próximo da realidade, onde os índices de educação global e sexual são os mais eficientes do mundo, mesmo assim, esta incidência de gravidez indesejada é alarmante e catastrófica, mesmo tratando-se de um país de primeiro mundo. Imaginem a situação dos países de terceiro mundo.

            Nos países excluídos não temos meios para imaginarmos, mas os indicadores que temos, sinalizam para uma situação caótica.

            No Brasil, a situação mostra-se próxima do caos, onde trabalhos da Associação Brasileira da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASCO), diz que cerca de um terço dos partos feitos no Brasil são de mães adolescentes, onde via de regra a primeira gravidez ocorre por volta dos 15 anos e a segunda aos 17 anos, sendo a reincidência uma das maiores preocupações de especialistas da área.

            O nosso temor, não se resume apenas à constatação isoladas, mas o crescimento do número de partos feitos entre jovens ou crianças entre 10 e 19 anos nos últimos anos.

            De acordo com dados estatísticos da FEBRASCO, em 1999, de um total de mais de 2,5 milhões de partos de mães nesta faixa etária feitos no Brasil, mais de 700 mil são mães crianças e adolescentes, o que corresponde à aproximadamente 28% dos partos realizados na rede pública de saúde do país.

            Hão de convir, que como não temos dados da rede privada, não podendo ter um referencial estatístico por total falta de dados, porém se imaginarmos que na rede privada as condições sócio-econômicas e culturais destes pacientes, são bem melhores das da rede pública, mesmo sem estatística, imaginamos que a incidência de gravidez precoce neste segmento seja bem menos, não pela iniciação sexual menos precoce, mas pelos meios de contracepção mais eficientes, onde os níveis educacionais são melhores e a orientação sexual seja melhor e mais eficaz, contudo ao analisarmos a situação da rede pública, observamos que a falta de informação não é mais a principal causa do crescimento do número de adolescentes grávidas no Brasil, fazendo exceção de alguns estados do norte e nordeste, onde a miséria impede informações mais avançadas em prevenção e as próprias condições sociais são precárias, em decorrência da falta de diálogo com os pais, os tabus impostos pela sociedade e a incidência de integração entre pais, agentes de saúde e professores, que prejudicados, ajudam para que adolescentes grávidas ocupem um papel de destaque nas estatísticas nacionais.

            Para o ginecologista e obstetra Dr. João Tadeu Leite, vários são os fatores que contribuem para a alta incidência de gravidez precoce, pois é natural que menores de 10 e 12 anos de idade, já tenham noções de sua própria sexualidade e talvez este fato levem-nas a considerarem aptas ou prontas para uma gravidez aos 15 ou 16 anos, mas a maioria das vezes, estas meninas não apresentam uma estrutura física adequada para a gravidez, bem como não estão preparadas emocionalmente, economicamente, socialmente, fisicamente e culturalmente para gerar um filho e assumi-lo.

            Acrescentado algo as justificativas acima, temos que entender um outro nicho onde a gravidez precoce se faz presente e a freqüência é muito alta, em relação a outros locais, que são as populações faveladas que hoje constituem um percentual considerado. Nestas comunidades, a gravidez precoce é como se fosse um status, onde aquela menina pobre, sem estrutura familiar, sem assistência do poder público, que assiste e convive com as relações sexuais dentro de sua moradia, geralmente um barraco de 16 metros quadrados, com um único quarto, abrigando oito pessoas, onde a sexualidade explícita faz parte de seu dia-a-dia, levando esta menina a banalizar tudo e quando aparece a proposta de um parceiro do mesmo nível seu, logo é aceito, pois é uma forma de ganhar status e até de ser “dona do pedaço” por algum tempo, onde a gravidez precoce para elas é um elo ou parceria, até de proteção.

            Devemos ressaltar que a população favelada deste país é a que mais tem filhos precoces e que representam mais de 26 milhões de pessoas, que são o excluídos.

            Se analisarmos com um pouco de bom senso, veremos que estas meninas teriam que aniquilar uma etapa de suas vidas, a mais sonhadora, que é a adolescência, abandonar os amigos, as atividades sociais, esportivas e escolares, e todo um momento ainda de aventura e desafios, que de certa forma, é queimar uma etapa fundamental no desenvolvimento do ser humano, com responsabilidades que fatalmente não assumirão e passarão a bola para as avós, que voltam a condição de mãe e estas meninas continuam vivendo como adolescentes, onde se quer, sabem o que é responsabilidade com a família que ela está formando e nem estão aptas a assumirem uma união estável, nem estrutura para assumirem a condição de mãe que envolve uma série de requisitos, que só uma mulher estruturada pode dar para os seus filhos, sendo a principal responsável pela sua educação.

            Na realidade o resultado disto são uniões conflituosas, sem a menos estabilidade e se não houver por parte dos pais, de ambos os lados, um apoio e um assistencialismo, a união vai ser por pouco tempo e os pais destes adolescentes terão que continuar criando seus filhos e seus netos, pois seus filhos não foram capazes de assumirem as suas funções de pais, pois se quer o instinto materno encontra-se aguçados para tal.

            Um dos fatores motivadores para um relacionamento irresponsável e de forma banalizada é a mídia, principalmente a TV, que com suas novelas e programas, incentivam este tipo de relacionamento e de quando em vez, vai buscar uma menina conhecida, que se envolve com um prisioneiro e dá uma conotação àquilo, como se fosse uma coisa muito natural e até uma atitude heróica, isto pela falta de consciência do mal que estão fazendo ao incentivarem esta sexualidade precoce e admitir como uma coisa saudável colocar um filho no mundo com um marido prisioneiro e ela uma mãe adolescente.

            O casamento é uma preocupação, pois a relação afetiva se quer foi estabelecida de forma segura, portanto não há solidez nestes casamentos. Na realidade muitas meninas transformam seus filhos em bonecos para completar o ciclo da sua infância e adolescência ou passam a bola para as avós ou mesmo abandonam estas crianças, em locais que vão de hospitais, instituições de adoção ou até no latão de lixo, como muitas vezes é noticiado pelas agências de notícias famigeradas por sensacionalismo barato. Outras vezes doam seus filhos, sem expressar o menor sentimento de apego, pois a maternidade não foi se quer preparada, colocando no mundo um filho indesejável a partir do próprio útero, imagina esta criatura em que condições chegam a este mundo.

            Além do caos provocado por uma gravidez precoce, que muitas vezes tem até um aspecto festivo, pela falta de consciência do que é colocar um filho neste mundo, temos nestas gravidezes precoces uma alta incidência de DST - Doenças Sexualmente Transmissíveis, como a Hepatite B, Hepatite C, HIV, HPV, Sífilis, etc, que só aparecerão no decorrer do tempo, vindo mais uma vez a bombardear pesadamente este relacionamento precipitado e inconseqüente, isto porque o jovem por não ter uma atividade sexual regular, não só não utiliza preservativos, bem como uma grande maioria destas relações são movidas pela impulsividade, o que agrava o risco de contaminação.

            As estatísticas da FEBRASCO, mostram que no Brasil em 1999, foram feitos 2.616.720 partos, onde 31.800 partos foram de adolescentes entre 10 e 14 anos, o que representa 12% dos partos feitos e 673.512 partos foram de adolescentes entre 15 e 19 anos, o que corresponde a 25% dos partos feitos e que juntos representam aproximadamente 37,7% de todos os partos feitos na rede pública em 1999, que traduzidos para uma visão mais simples, mais de uma terço destes partos foram de gravidez precoce, sem levarmos em consideração os partos feitos na rede privada.

            Em relação à contaminação pela AIDS, só para se ter uma idéia, em 1985 a proporção era de (01) mulher para cada (2,5) homens contaminados e em 2001 a proporção foi de (01) mulheres para cada (02) homens contaminados, mostrando um crescimento estatístico que não permite dúvidas sobre a gravidade da situação.

            A relação entre jovens que foram pais na adolescência, quase sempre é quebrada quando a possibilidade de aborto é uma hipótese inicial, com muitas adolescentes vindo a perder a própria vida como conseqüência destes abortos clandestinos e criminosos.

            Alguns jovens optam por enfrentar o problema, mas e relação inicial fragilizada e superficializada criam um clima de intolerância mútua, onde a maioria não assumirá a paternidade por vários motivos, como o caso em que o menino (pai) não assume a paternidade, outras vezes a paternidade é de um homem mais idoso já comprometido com outros relacionamentos e em outras situações até inusitadas onde os pais (meninos e meninas) continuam morando na residência de seus pais e continuam namorando, mas mesmo assim o futuro é sempre duvidoso, pois neste percurso surgem novos embaraços e esta união não se estabelece mesmo com o apoio dos familiares.

            Salientamos ainda que a gravidez precoce que leva a maternidade precoce, apresenta uma série de riscos, como: interrupção do processo evolutivo na formação do indivíduo, que leva os jovens à “pularem etapas” da vida como crianças e adolescentes, para transformar-se em adultos, o que via de regra provoca uma série de outros transtornos como interrupção dos estudos, limitação da qualidade profissional, falta de apoio dos familiares e amigos, preconceitos, criação de uma família sob o risco de desmembramento ou sérias complicações decorrentes de abortos ilegais, que podem acarretar uma série de conseqüências físicas e psicológicas, muitas vezes irreversíveis.

             Se em uma união madura e consciente a estabilidade é mínima nos dias atuais, onde as pessoas ao se unirem já apresentam os elementos indispensáveis para correr um risco menor de separação, mesmo assim é alto o índice de rompimento, imaginem num momento de tanta instabilidade, como fica este risco? Diríamos que a possibilidade de separação é extremamente alta, não só devido ao momento inoportuno e imaturo, mas pela coincidência deste momento com o momento em que a própria sociedade vive, onde casar e separar são uma rotina na atualidade, pois a intolerância, o despreparo, a ruptura da estrutura familiar, a influência da mídia que não só banaliza a estrutura familiar, como de certa forma incentiva como agente desagregador, não só por estas peças ligadas à mídia, de modo geral, não ter comportamentos estruturais que as ligue à família, como a própria necessidade destas pessoas estarem à procura da felicidade em um novo parceiro, para se auto-afirmarem como pessoas de um meio em que é comum estes conceitos, além de uma mídia sustentada por pessoas que nunca envergonham-se se suas incompetências, sempre esquivando-se e fazendo o que é melhor e conveniente para “eles” e não para a sociedade, pois neste jogo MÍDIA X SOCIEDADE, a mídia é o jogador que já conhece seu fragilizado adversário e não há porque jogar de forma diferente, mesmo porque a conivência do sistema é total, pois afinal de contas a mídia se não é o primeiro poder, mas está entre os primeiros poderes manipuladores e formadores de opinião, com isso é muito mais penetrante a idéia das pessoas ligadas a mídia do que a opinião de um educador ou profissional conhecedor do assunto.

              Com esta reflexão, entendemos a relação TDAH e gravidez precoce, principalmente se levarmos em consideração, que um paciente TDAH do tipo predominantemente hiperativo/ impulsivo ou combinado, apresenta hipersexualidade, postura muitas vezes associadas a comorbidades como o transtorno opositor desafiador (TOD), que aumenta o risco de gravidez precoce, num mundo de oportunidades de experiências sexuais farto, onde o prostíbulo oficial encontra-se em decadência e outros tipos de prostituição alastram-se em todo mundo, em especial nos países subdesenvolvidos, onde a falta de cidadania, somada a miséria, falta de educação, etc, vulnerabiliza cada vez mais crianças e adolescentes a uma iniciação sexual precoce que vai resultar em gravidez precoce e o TDAH passa a ser um alvo indefeso.

            Temos também que fazer estas meninas procurarem entender que os seus impulsos precisam ser controlados, para não perderem a oportunidade de se encantar, namorar e curtir de forma segura as momentos mais sonhadores que são a infância e a adolescência, mostrando para elas que existem momentos para tudo e quando não há equilíbrio na evolução destas fases, irão pagar com a vida por erros primários. Devemos também alertar os pais que os próprios brinquedos das crianças de hoje, podem servir de estímulo à sexualidade precoce, onde meninas brincam com bonecas grávidas ou já com filhos, imaginação de adultos que transformam-se em realidade cujo objetivo é meramente econômico. Outros brinquedos atrelam responsabilidades domésticas a brincadeiras infantis e “femininas”, passando a idéia errônea que todas as meninas deverão construir família e ser somente donas de casa, mas esquecem da falência progressiva deste modelo.

            Aceitamos até que mulheres ao dar a luz, que fiquem cegas diante da beleza do filho que geram, mas também que abra os olhos e vejam o que tem a oferecer como um porto seguro, onde ela possa crias o filho com todo apoio de uma mãe equilibrada, centrada, motivada e preparada para a tarefa inerente à mãe, que se estruturada dará condições ao filho de desenvolver-se dentro dos padrões aceitáveis para conseguir chegar a uma qualidade de vida que permita a sua evolução como um ser humano em condições de igualdades com os demais.

            Possivelmente, o único ser vivo em que estar preparado para reprodução não significa estar preparado para maternidade é o ser humano, especificamente a mulher, isto em decorrência da necessidade de estar preparada fisicamente, fisiologicamente, psicologicamente, economicamente e socialmente para desenvolver a maternidade com desenvoltura, onde a mãe é a peça fundamental nesta tarefa, que deve ser também do pai, mas com menor capacidade, apesar do esforço de muitos neste sentido, porém as tarefas são diferentes.

            Evitar a gravidez precoce é uma tarefa de toda sociedade, ajudando de maneira efetiva a evitar conseqüências desastrosas que recaem sobre a própria sociedade, lembrando que o sistema político em que vivemos não tem grandes interesses em participar destes projetos que promovem a vida, pois a própria visão do político é assistencialista, onde o voto é o passaporte para o poder e o mesmo não deve estar carimbado de consciência.

            Não esqueçamos que são as mães que movidas de dotes maternais, que orientam seus filhos desde o útero até a adolescência, ensinando-lhes comportamentos, leituras sociais, oferecendo-lhes o colo para chorar, apoio diante de suas dúvidas e inseguranças, limites diante de suas ações, orientação para caminhar com firmeza, proteção diante das agressões, o peito como defesa imunológica e como alimento para sua vida afetiva, enfim, sem aprender em nenhum livro, como ser mãe, traz em seu genoma mensagens em forma de instintos maternos conferindo-lhe a condição de mãe, que com o tempo, com evolução, com o desenvolvimento e maturidade transforma-se em reprodutora. Se não preparadas, geram os seus filhos e os abandonam sem o menor sentimento afetivo.

            Os meninos pais, além de despreparados para tal função, não têm grandes motivos para o apego ao filho como a mãe, pois diante desta catastrófica experiência é ele, que na maioria das vezes, voa para outros lugares devido, não só a incompetência, como também como homem despreparado e muitas vezes achando que a criação do filho é responsabilidade da mãe, expressando assim a sua condição despreparada de pai e também o machismo peculiar dos adolescentes imberbes, que ao se referirem aos seus conjugues o fazem denominando de “minha mulher” no sentido maior de posse, em contraste com os relacionamentos maduros e respeitáveis, os parceiros referem-se às suas parceiras ou companheiras, como deve ser para expressar o sentimento de equilíbrio e respeito pela parceira, onde o relacionamento maduro reflete a estabilidade do relacionamento.

            É comum entre os meninos pais, o espírito aventureiro e irresponsável muito mais do reprodutor do que de pai, que tem três, quatro, cinco ou mais filhos com várias mulheres e não assumem a responsabilidade paterna sobre estes filhos, participando da construção de uma vida, que será colocada no mundo, mas o mundo não foi preparado para estas vidas, em que na maioria das vezes são apenas resultados da existência dos próprios pais despreparados e vítimas da sua própria experiência como filho.

            O Brasil é um país onde a adoção de crianças é a mais acentuada do mundo, isto em conseqüência do número absurdo de gravidez precoce, onde as mães despreparadas doam seus filhos para outras famílias a nível nacional e internacional, neste último caso para os países de primeiro mundo, onde o abandono do filho é bem menos freqüente. Em nosso meio fala-se até em doações por acertos econômicos antecipados, onde o filho é uma mercadoria como outra qualquer, para estas mães despreparadas.

            Países como a Holanda, Suíça, Itália, Alemanha, França, etc, são os grandes receptores.

            Como prova destas concepções, observamos em nossa casuística de pacientes TDAH, uma alta freqüência de pacientes filhos adotivos, que quando é possível a identificação dos pais biológicos, verificamos a incidência alta de mães crianças ou adolescentes, muitas vezes não só vítimas da gravidez precoce, como também usuárias de drogas “lícitas” e ilícitas, que tiveram comportamento disruptivos e quando foi possível detectamos sinais de TOD (Transtorno Opositor Desafiador) e TC (Transtorno de Conduta), mas como comorbidade destas mães TDAH, principais vítimas da gravidez precoce, que são as que mais doam seus filhos para adoção, que longe de ser um preconceito, é um alerta para tratar estas crianças mães precoces, como forma de amenizar a gravidez precoce e também de pensar que a criança adotada pode apresentar TDAH e seguir o mesmo caminho de sua mãe, pois o fator genético é determinante.

            Caso os pais adotivos tenham esta informação poderão agir preventivamente enquanto há tempo para se trabalhar e mudar rumos.

            O impacto do TDAH na gravidez precoce foi motivo de um estudo em uma comunidade de 20.000 habitantes durante 20 anos, onde acompanhamos 198 casamentos, onde éramos o único médico daquela comunidade e verificamos 108 separações num período de 10 anos, o que representa 55% dos casamentos, onde verificamos casamentos relâmpagos (3 casos) cujas separações ocorreram em 24 horas pós-cerimonial, sendo que 70% das separações ocorreram num período de 3 anos pós-cerimônia, totalizando 75 separações. Dos 30% que resistiram a separação nos 3 primeiros anos, num total de 32 casamentos, só 20% conseguiram chegar aos 10 anos de casamento, totalizado 21 casamentos. Em 16 casamentos ocorreram reatamento com dissolução a seguir, permanecendo casados 5 casais. Tivemos 6 mães que separaram e morreram por doenças infecto-contagiosas e suicídio(2 casos).

            Observamos que quanto mais jovens foram os casamentos, maior foi o índice de separação. Da mesma forma alguns jovens separaram e a seguir arranjaram outro parceiro e uma grande porcentagem voltou a separar-se mostrando que em novas uniões a estabilidade não ocorreu, mostrando que o tempo curto não foi suficiente para aprenderem e desenvolverem condições de maturidade para estabilizar o relacionamento.

            Concluímos que a gravidez precoce merece estudos e pesquisas mais consistentes, porém algo deverá ser feito para minimizar o caos social.

Irineu Dias

Clínica Médica

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